Quando o fazer aflora a intangibilidade, como um murmúrio serenamente repetido, os objectos resultantes fracturam o habitual curso dos pensamentos, oferecem-se ao olhar numa suave declinação para o abismo, uma branda e ineludível imersão no caos que as mãos procuram entender.
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sexta-feira, 19 de junho de 2020
sábado, 23 de maio de 2020
Tigelas de Loulé
É uma ideia que me vem seguindo desde algum tempo. Como um cãozinho que encontramos por acaso durante
um passeio. O mais das vezes, a tendência é enxotar essa presença
para a qual não temos disponibilidade. Os dias parecem já demasiado
cheios de solicitações. As horas escoam rapidamente em semanas que
se adensam em dúzias de blocos compactos.
Mas, ocasionalmente, de modo
voluntário, ou não, paramos e prestamos um pouco mais de atenção.
Disponibilizamos um espaço que afinal estava ali.
Assim, na continuidade da série
“Tigelas do Algarve”, esta ideia de criar uma categoria mais
localizada na terra de onde são originárias, resultou nas “Tigelas
de Loulé”.
Se, por um lado, as “Tigelas do
Algarve” não estão submetidas a qualquer padrão, cor ou forma,
já esta série das “Tigelas de Loulé” apresenta, dentro da
diversidade de soluções encontradas, uma clara linha comum que
assenta no propósito de homenagear as artes e ofícios tradicionais
da história desta cidade, e que contribuíram para a criação da
riqueza e identidade local.
Desde logo, a matéria-prima em que são
feitas, o barro, remete-nos para as numerosas olarias que existiram
na antiga vila de Loulé.
A textura do entrançado, na superfície
exterior das peças, reporta-nos para a actividade da empreita de
palma que estava na origem de uma grande variedade de objectos
utilitários, actualmente com propósito quase exclusivamente
decorativo.
No acabamento da cozedura final das
tigelas, um vidrado com os reflexos metalizados do cobre alude às
oficinas dos caldeireiros que impregnavam as ruas com o som das
marteladas sobre o metal.
Ainda que diversas na cor, forma e
técnicas de cozedura utilizadas, estes são os traços que
identificam as “Tigelas de Loulé”, e é com verdadeiro e
renovado prazer que me empenho na elaboração das diferentes soluções
encontradas.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Jarras
Não são exactamente jarras de cerâmica. Não nasceram como tal. Na sua concepção, elas procuram intencionalmente representar, em tamanho real, a ideia de uma jarra. Da mesma forma que um cão de cerâmica, em tamanho real, não é verdadeiramente um cão.
Possivelmente, nunca uma jarra foi feita. Um dia, algures, algum pote sem tampa foi aproveitado para nele se colocar um ramo de ervas aromáticas. Com o tempo, tornou-se necessário nomear essa funcionalidade. Foi então criada a ideia de jarra. A partir desse momento, quando alguém se dispõe a conceber um objecto com a específica funcionalidade que persegue essa ideia, está, na verdade, apenas a representá-la.
De um lado do rio, temos um qualquer recipiente sem nome, do outro, a imagem virtual de uma travessia carregada de possibilidades. No espaço intermédio, temos a ilusão, a quimera, o devaneio, a imaginação, o sonho, o delírio, a fantasia, a alucinação, a utopia.
De um lado do rio, temos um qualquer recipiente sem nome, do outro, a imagem virtual de uma travessia carregada de possibilidades. No espaço intermédio, temos a ilusão, a quimera, o devaneio, a imaginação, o sonho, o delírio, a fantasia, a alucinação, a utopia.
De qualquer forma, estas representações que produzi mantêm a sua capacidade funcional. Utilizei, na sua manufactura, diferentes misturas de argilas amassadas sem grande rigor de proporcionalidade, guiando-me instintivamente pelo precário equilíbrio entre a experiência acumulada e o mais ou menos calculado risco da inovação.
Cozidas a 1100 graus no forno a lenha. Parcialmente vidradas em monocozedura. Janeiro de 2019.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Canecas
domingo, 27 de janeiro de 2019
Tigelas de Janeiro
Tigelas do Algarve, as primeiras deste ano, saídas do forno a lenha.
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| 21cm de diâmetro, 12cm de altura |
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| 21cm de diâmetro, 12cm de altura |
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| 21cm de diâmetro, 12cm de altura |
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| 21cm de diâmetro, 12cm de altura |
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| 17cm de diâmetro, 7cm de altura |
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| 17cm de diâmetro, 7cm de altura |
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| 17cm de diâmetro, 7cm de altura |
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| 17cm de diâmetro, 7cm de altura |
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| 17cm de diâmetro, 7cm de altura |
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| 17cm de diâmetro, 7cm de altura |
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| 20cm de diâmetro, 7cm de altura |
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| 20cm de diâmetro, 7cm de altura |
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Tigelas
Modeladas a partir de uma mistura de argilas, esculpidas no limite da secagem, parcialmente pinceladas com vidrado e cozidas no forno a lenha a 1100ºC, são assim, as Tigelas do Algarve
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
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